terça-feira, 1 de junho de 2010

Rixas e Simulações — São Necessárias?

David Lacey, correspondente esportivo do The Guardian, escreveu que apesar da vitória de 3 a 1 da Itália sobre a Alemanha Ocidental, “era claro que o bom nome do futebol tornara-se irrelevante comparado à toda-importante questão de vencer”. Em seguida suscitou a pergunta: “Era realmente necessário sujeitar todo mundo a um mês do que amiúde era futebol medíocre a fim de produzir uma rixosa final que pouco fez para aliviar as sombrias perspectivas para o futuro desse jogo qual esporte de espectadores?” Ele prosseguiu: “Perdeu-se a conta das vezes em que os que foram atingidos ficavam estirados no chão parecendo estar à beira da morte, mas que no instante seguinte corriam atrás da bola.” Essa simulação é para enganar o juiz e cavar uma falta mais perigosa contra o adversário. Como tal, é comédia e hipocrisia. Pode ser “profissional”, mas não é nem ético nem nobre.

Por que essa tendência para a violência e a simulação, mesmo nos mais altos níveis desse esporte profissional? Exatamente porque é um esporte profissional altamente pago, e ganhar significa muito. Os perigos dessa tendência vão muito além do campo de ação. As crianças e os jovens tendem a imitar os profissionais, e assim a violência e a hipocrisia introduzem-se nos esportes escolares. Esse fato foi reconhecido por um bem-conhecido jogador australiano de críquete, Dennis Lillee, que estava temporariamente suspenso de competições internacionais por ter agredido o capitão paquistanês. Mais tarde desculpou-se, dizendo que o incidente “deu mau exemplo para as crianças e por isso, em especial, lamento sinceramente”. Que houvesse mais esportistas cônscios do efeito de seu exemplo sobre crianças!

Sem dúvida, os esportistas profissionais, tanto homens como mulheres, batalham mui arduamente para atingir o pináculo nas suas consecuções esportivas. O fundamental, porém, é que os esportes deveriam ser apenas recreação, um passatempo. Não é o fator mais importante na vida, tampouco é a ocupação ou necessidade mais vital da humanidade. Assim, a expressão da Bíblia é mui apropriada: “Eu mesmo vi todo o trabalho árduo e toda a proficiência no trabalho [que também se aplica aos esportes convertidos em trabalho], que significa rivalidade de um para com o outro; também isto é vaidade e um esforço para alcançar o vento.” (Eclesiastes 4:4) A atual violência, simulação, e também a arruaça de torcedores são os frutos da “rivalidade” e do espírito de competição.

Portanto, é apropriado perguntar: É o futebol profissional uma influência edificante hoje em dia? Aproxima as pessoas, ou será que intensifica velhas rivalidades? Contribui para uma maior paz genuína entre as nações?

Nenhum comentário: