Sob as novas regras, os países classificados aumentaram de 16 para 24. Isso significava que algumas nações foram representadas por equipes com relativamente pouca experiência em campeonatos dessa natureza — especialmente Kuwait, Camarões, Honduras, Argélia, e Nova Zelândia. Os entendidos logo as descartaram como sendo de pouca conseqüência contra os ‘Golias’, os países tradicionalmente praticantes do futebol. Estavam certos nas suas previsões?
A primeira fase dos jogos logo trouxe desapontamentos. O jogo de abertura entre os então campeões, da Argentina, e os desafiantes, da Bélgica, produziu uma surpresa — a Bélgica venceu. Parece que isso estabeleceu a tônica para o inteiro campeonato — uma corrente de surpresas. Grandes equipes, tais como Alemanha Ocidental, Espanha, Tchecoslováquia, e Peru, não conseguiam vencer equipes desacreditadas. Antes do jogo contra a Argélia ouviu-se o técnico da Alemanha dizer: “Se não vencermos a Argélia, voltarei para casa no próximo trem.” Seu comentário se revelou imprudente. A Alemanha Ocidental perdeu por dois a um! Contudo, como a Argentina, a Alemanha Ocidental passou para a segunda fase classificada por pontos. Desnecessário dizer, o técnico alemão adiou sua viagem de volta à Alemanha Ocidental.
Na segunda fase 12 equipes estavam classificadas — 10 da Europa e 2 da América do Sul. Quais seriam as finalistas? Muitos tinham esperança e aguardavam uma final entre os gigantes da América do Sul, o Brasil e a Argentina. Foi o que aconteceu?
Mais surpresas! Tanto o Brasil como a Argentina foram eliminados. As semifinais se transformaram em duelo só de equipes européias, com a França e a Alemanha Ocidental em combate e a Itália frente a frente com a Polônia. A Alemanha Ocidental, depois de estar perdendo por 3 a 1 na prorrogação, arrancou o empate e daí venceu na cobrança de pênaltis. A Itália derrotou a Polônia por 2 a 0. Isso significava que a final da Copa do Mundo seria Itália versus Alemanha Ocidental. Embora resultasse numa final só de equipes européias, mesmo muitos europeus lamentaram a desclassificação dos brasileiros, com o seu estilo atraente de futebol. Parecia que o “clima alegre” se havia evaporado da competição.
Contudo, a paixão futebolística aumentou. Mais de 90.000 lotaram o Estádio Santiago Bernabéu, de Madri, para a final. Será que a Alemanha Ocidental venceria a Copa, como muitos esperavam? Outra surpresa — “A Itália desbaratou a grande máquina alemã”, foi a manchete no diário ABC, de Madri. “A Itália venceu a briga final”, foi a nota do The Guardian. A Itália tornou-se campeã mundial de futebol pela terceira vez na sua história. Para ela, a Copa do Mundo de 1982 foi uma vencedora. Mas, talvez para o futebol em geral a Copa do Mundo apresentou mais do que uma simples imagem empanada. Por que dizemos isso?
terça-feira, 1 de junho de 2010
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