terça-feira, 1 de junho de 2010

Matadores de Gigantes?

Sob as novas regras, os países classificados aumentaram de 16 para 24. Isso significava que algumas nações foram representadas por equipes com relativamente pouca experiência em campeonatos dessa natureza — especialmente Kuwait, Camarões, Honduras, Argélia, e Nova Zelândia. Os entendidos logo as descartaram como sendo de pouca conseqüência contra os ‘Golias’, os países tradicionalmente praticantes do futebol. Estavam certos nas suas previsões?

A primeira fase dos jogos logo trouxe desapontamentos. O jogo de abertura entre os então campeões, da Argentina, e os desafiantes, da Bélgica, produziu uma surpresa — a Bélgica venceu. Parece que isso estabeleceu a tônica para o inteiro campeonato — uma corrente de surpresas. Grandes equipes, tais como Alemanha Ocidental, Espanha, Tchecoslováquia, e Peru, não conseguiam vencer equipes desacreditadas. Antes do jogo contra a Argélia ouviu-se o técnico da Alemanha dizer: “Se não vencermos a Argélia, voltarei para casa no próximo trem.” Seu comentário se revelou imprudente. A Alemanha Ocidental perdeu por dois a um! Contudo, como a Argentina, a Alemanha Ocidental passou para a segunda fase classificada por pontos. Desnecessário dizer, o técnico alemão adiou sua viagem de volta à Alemanha Ocidental.

Na segunda fase 12 equipes estavam classificadas — 10 da Europa e 2 da América do Sul. Quais seriam as finalistas? Muitos tinham esperança e aguardavam uma final entre os gigantes da América do Sul, o Brasil e a Argentina. Foi o que aconteceu?

Mais surpresas! Tanto o Brasil como a Argentina foram eliminados. As semifinais se transformaram em duelo só de equipes européias, com a França e a Alemanha Ocidental em combate e a Itália frente a frente com a Polônia. A Alemanha Ocidental, depois de estar perdendo por 3 a 1 na prorrogação, arrancou o empate e daí venceu na cobrança de pênaltis. A Itália derrotou a Polônia por 2 a 0. Isso significava que a final da Copa do Mundo seria Itália versus Alemanha Ocidental. Embora resultasse numa final só de equipes européias, mesmo muitos europeus lamentaram a desclassificação dos brasileiros, com o seu estilo atraente de futebol. Parecia que o “clima alegre” se havia evaporado da competição.

Contudo, a paixão futebolística aumentou. Mais de 90.000 lotaram o Estádio Santiago Bernabéu, de Madri, para a final. Será que a Alemanha Ocidental venceria a Copa, como muitos esperavam? Outra surpresa — “A Itália desbaratou a grande máquina alemã”, foi a manchete no diário ABC, de Madri. “A Itália venceu a briga final”, foi a nota do The Guardian. A Itália tornou-se campeã mundial de futebol pela terceira vez na sua história. Para ela, a Copa do Mundo de 1982 foi uma vencedora. Mas, talvez para o futebol em geral a Copa do Mundo apresentou mais do que uma simples imagem empanada. Por que dizemos isso?

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