domingo, 13 de junho de 2010

Esporte ou Guerra?

Consideremos apenas um aspecto típico de tantos eventos esportivos modernos — a violência. Este fenômeno ocorre freqüentemente nas partidas de futebol — no gramado, nas arquibancadas e fora do estádio. Psicólogos, sociólogos e jornalistas concordam que, num mundo tão intensamente violento, o esporte não é exceção. Há uma subversão implacável dos valores morais básicos. Como tentativa de amainar as violentas realidades do esporte moderno, não produz resultado o uso de frases tais como “o esporte é uma competição honesta”, “o espírito de amizade” ou de “fraternidade”.
A Copa do Mundo não foi exceção. Algum tempo antes de começar, ouviram-se informes alarmantes. “É Assustador o Violento Fanatismo dos Torcedores de Futebol, e os Turistas Evitam a Itália”, rezava uma manchete do jornal La Repubblica, 18 dias antes da partida inicial. Os mais temidos eram os notórios hooligans [arruaceiros], uma parcela de torcedores ingleses conhecidos por toda a Europa por seu vandalismo antes, durante e depois de cada partida.
A edição de 1.° de junho de 1990, do diário La Stampa, de Turim, analisou as causas da violência nos estádios e o comportamento grosseiro dos hooligans, comentando: “Na tribo do futebol, não existem atualmente meias medidas. Os adversários não são mais apenas adversários, mas são ‘inimigos’; um choque não é mais a exceção, senão a regra, e tem de ser duro, tão duro quanto possível.” Mas, por quê? “‘Porque odiamos uns aos outros’, responderam alguns hooligans de Bolonha.” Ao tentar explicar a lógica por trás de tal ódio, o sociólogo Antonio Roversi disse: “Os jovens que vão aos estádios sofrem da ‘síndrome do beduíno’. Os que padecem desta síndrome consideram os inimigos de seus amigos como também sendo seus inimigos, os amigos de seus inimigos como sendo seus inimigos, e, vice-versa, o amigo de um amigo é um amigo, e o inimigo de um inimigo é um amigo.”
Ódio, violência, rivalidade, vandalismo, a “síndrome do beduíno” — a Copa do Mundo ainda nem fora iniciada e a atmosfera parecia a de uma declaração de guerra. Apesar disso, foi num espírito festivo que a Itália se preparara para tal evento.


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