quinta-feira, 13 de maio de 2010
Um Sonho Transformado em Realidade?
Referindo-se à importância social do futebol, Albert Camus, filósofo francês, disse certa vez: “Devo ao futebol os mais verdadeiros conceitos que tenho sobre a moral e as obrigações dos homens.” Embora expressões positivas, tais como “a família universal do futebol”, “jogo limpo” e “espírito esportivo” fossem todas empregadas durante os jogos finais da Copa do Mundo, será que as partidas corresponderam a tais expectativas? Pode o futebol, ou mesmo qualquer outro esporte, realmente trazer paz, unidade e boa moral?
Pedro Escartín, editor de esportes, comentando a partida México e Paraguai, disse: “Quando um campo de futebol se converte numa babel de violência, do antifutebol, da execução da orientação objetável de que ‘a bola passa, mas o jogador não’, então, imaginar que apenas um homem, sem a colaboração de jogadores e técnicos, possa converter a atmosfera de violência num espetáculo de esportividade e de boas maneiras, é pedir demais.” Acrescentou ele: “Numa partida em que se cometem 77 faltas, pergunto a mim mesmo se o futebol pode ser positivo.” Felizmente, nem todos os jogos foram tão violentos quanto aquele.
Às vezes, durante os treinos, fecharam-se os portões, até para jornalistas. Por quê? As equipes temiam que espiões de outras seleções tentassem infiltrar-se junto com a imprensa e o público, tentando descobrir algumas de suas táticas de jogo. De acordo com o diário Excelsior, da Cidade do México, “as seleções participantes dos jogos finais da Copa do Mundo, pelo que parece, tornaram-se paranóicas quanto à possível presença de espiões de seus rivais. . . . O total de acusações de espionagem feitas por diferentes delegações poderia encher uma novela de espionagem de John Le Carré”. Isto dificilmente constituía um exemplo duma atmosfera unificadora da paz.
Em outro comentário, o mesmo diário citava as palavras do papa: “O esporte não basta . . . Com freqüência se transforma em excessiva competição, rivalidade, agressividade, brutalidade, deslealdade, industrialização, e comercialismo.” Este espírito é transmitido às multidões, em cujas faces “pode-se ler a agressividade, a angústia, a ira, a fúria, a tristeza, e, muitas vezes, uma alegria delirante e histérica”. Estes fatores, junto com o nacionalismo cego, com freqüência levaram à violência e a banhos de sangue. E a violência no futebol não é raridade.
Para evitar tais problemas nos jogos finais da Copa do Mundo de 1986, tomaram-se estritas medidas de segurança. Cerca de 50.000 homens — policiais e soldados — foram mobilizados para manter a ordem. Esquadrões especiais antibombas estavam a postos, para o caso dum ataque terrorista. Havia quatro brigadas altamente treinadas de comandos antiterroristas situados em pontos estratégicos. Quinze policiais da Seção Especial da Scotland Yard, da Inglaterra, garantiam a proteção da seleção inglesa. Guarda-chuvas e outros objetos “perigosos”, que poderiam ser usados num surto de violência, eram confiscados, à medida que o público entrava nos estádios. Serviam-se até mesmo bebidas sem os cubos de gelo. Por quê? Os cubos poderiam ser usados como projetis!
Se os esportes profissionais não podem sequer estabelecer a paz e a harmonia dentro e fora dos campos, como poderiam ser uma influência duradoura a favor da paz mundial?
Outra pergunta é: Como deveriam os cristãos sinceros encarar os esportes profissionais? Será que estes representam alguma ameaça para a integridade cristã?
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