segunda-feira, 17 de maio de 2010

Sobe a Febre Futebolística

Durante muitos meses antes da Copa, as estações de rádio no Brasil e na República Federal da Alemanha lembravam: ‘Faltam apenas 100 [ou tantos] dias para a Copa do Mundo.’ Comerciantes ofereciam aos fregueses que adquiriam sua mercadoria a oportunidade de ganhar uma viagem, com todas as despesas pagas, à Argentina, para assistir aos jogos. Cerca de 150 torcedores da Escócia fizeram a viagem duma forma incomum — de submarino.

A ampla maioria dos torcedores, naturalmente, viu os jogos pela televisão. A TV brasileira e alemã, por exemplo, exibiu dois ou três jogos ao vivo em cada um dos 12 dias da disputa. Outros jogos receberam uma cobertura a posteriori. Durante a Copa do Mundo de 1974, exibiram-se umas 92 horas de futebol na TV alemã!

Durante as partidas em 1974, as fábricas fecharam. Organizações religiosas ajustaram as horas de reuniões, de modo a não colidirem com as partidas. No Rio de Janeiro, os crimes alegadamente atingiram uma baixa de todos os tempos. No Zaire, motoristas de ônibus abandonavam seus veículos quando entrava em campo a seleção nacional. Em Roma, interromperam-se as negociações para restaurar o governo moribundo quando os líderes saíram para ver os jogos.

As partidas, pelo que parece, assumem aspecto religioso para muitos. Observa Times Magazine, de Nova Iorque: “O futebol se tornou, na era européia do após-guerra, uma espécie de nova religião das massas, milhões de pessoas orando pela salvação nos estádios esportivos, e dezenas de milhões acompanhando fielmente os ofícios, na televisão em cores.”

Mas, assim como o fanatismo religioso tem sido perigoso, até mesmo mortífero, assim também o fanatismo pelo futebol. Não só impediu que muitos cultivassem saudáveis interesses e qualidades espirituais; também levou a motins, matanças e até mesmo à guerra.

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