segunda-feira, 26 de abril de 2010

Por Que Aumentou a Violência?

“Treinadores, torcedores, meios de comunicação.” Estes se tornaram principais fatores da violência nos esportes. Fazem vigorar entre eles a lei da oferta e da procura. Os torcedores querem ação e emoção. Essa é a procura. Os treinadores são amiúde empregados pelos magnatas dos negócios que querem que suas empresas floresçam financeiramente. Isso significa que precisam contentar os torcedores. De modo que os treinadores são pressionados a satisfazer a demanda pública. Do lado de fora, os meios de comunicação, especialmente a televisão, juntam-se, ora para exaltar, ora para condenar a violência.
Faz alguns anos, Vince Lombardi, técnico do time de futebol americano Green Bay Packers, expressou sua filosofia sobre esportes na seguinte frase que agora se tornou comum: “Vencer não é tudo; é a única coisa.” Certamente, não foi ele quem originou a idéia. Ele simplesmente sintetizou em poucas palavras a mentalidade prevalecente nos esportes profissionais.
Mas, por que é tão importante vencer? A acima mencionada reportagem fornece a resposta: “As universidades [nos E.U.A.] fazem investimentos de multimilhões de dólares nos seus programas atléticos da Divisão I (grande parte para atletas bolsistas) por muitas razões, não sendo a menos importante delas o potencial de enormes lucros decorrentes de times bem-sucedidos de futebol e de basquete.”
Os grandes negócios e grandes lucros são a chave da questão. Os esportes geram dinheiro como nunca antes. A luta entre Sugar Rey Leonard e Thomas Hearn, em setembro de 1981, “foi de per si o mais rico evento esportivo da história, com uma esperada renda total bruta de $ 37 milhões [Cr$ 7,4 bilhões]”. Recentemente, oito jogadores de beisebol, nos E.U.A., assinaram contratos “que variam entre $ 500.000 [Cr$ 100 milhões] por ano e $ 926.000 [Cr$ 185 milhões] por ano”. Fernando Valenzuela, o famoso arremessador mexicano de bola no beisebol, dos Dodgers de Los Angeles, ganhou alegadamente de Cr$ 60 milhões a Cr$ 100 milhões numa só temporada só em fazer comerciais de produtos. Segundo o diário argentino La Nacion, o clube de futebol Boca Juniors depositou o equivalente de Cr$ 200 milhões em “pagamento da primeira quota para comprar definitivamente Diego Armando Maradona”, um dos astros do futebol argentino. Uma notícia da Austrália diz: “Agora o céu é o limite, e o futebol se tornou um grande negócio, tendo cada um dos 12 clubes da Associação Vitoriana de Futebol um movimento anual de cerca de $ 1 milhão [de dólares australianos, equivalentes a Cr$ 202 milhões].”
Qual é o resultado final do envolvimento de grandes negócios nos esportes? Incrementada violência. Por quê? Porque os esportes exigem atualmente enormes lucros, provenientes de seus espectadores e dos canais de televisão. Isso significa que o consumidor precisa ser convertido em viciado nos esportes para garantir que constantemente entre dinheiro. Como se consegue isso? Fornecendo o que o freguês pede — emoção. E a emoção significa geralmente violência. Assim se cria o ciclo da manutenção própria. Os treinadores têm de ensinar e exigir violência, porque os fãs (do inglês fans, abreviatura de “fanáticos”) querem isso. E os magnatas dos negócios querem seus lucros. E os meios de comunicação, para aumentar suas próprias vendas, passam a fazer, ora adulações, ora acusações. Apanhados no meio desse círculo vicioso estão os jogadores que têm de apresentar a mercadoria — ação, emoção e violência.

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