No ano passado, 162 jogadores de beisebol das principais ligas, nos Estados Unidos — mais de 1 em cada 5 deles — ganharam mais de um milhão de dólares cada um, sendo o salário máximo de mais de três milhões de dólares. Agora, um ano depois, mais de 120 jogadores receberão mais de dois milhões de dólares, inclusive 32 que receberão mais de três milhões de dólares, e pelo menos um que receberá, por ano, mais de cinco milhões de dólares, de 1992 até 1995! A busca de dinheiro e de altíssimos salários também se tornou comum em outros esportes.
Mesmo nos esportes universitários, muitas vezes se dá ênfase ao dinheiro. Os treinadores de times vencedores são sobejamente recompensados, chegando a ganhar até um milhão de dólares de salário e de promoções publicitárias. As faculdades cujas equipes de futebol americano se habilitam aos jogos de fim de ano, nos Estados Unidos, recebem muitos milhões de dólares — 55 milhões num ano recente. “Os times de futebol americano e de basquete precisam ganhar dinheiro”, explica o presidente duma faculdade, John Slaughter, “e eles têm de vencer para ganhar dinheiro”. Isto resulta num ciclo vicioso em que vencer se torna uma obsessão — com conseqüências desastrosas.
Visto que os empregos dos jogadores profissionais dependem de eles vencerem as partidas, eles, não raro, fazem praticamente tudo para vencer. “Não se trata mais de um esporte”, afirma o ex-astro de beisebol Rusty Staub. “É um negócio maligno, físico.” A trapaça permeia tudo. “Se você não trapacear, não está tentando vencer”, explica Chili Davis, um outfielder (defensor da grande área). “Você faz tudo que pode, se conseguir safar-se”, diz Howard Johnson, um infielder (defensor da área interna), do “New York Mets”.
Assim, mina-se a fibra moral e isto é um grande problema nos esportes universitários também. “Alguns treinadores e diretores de atletismo trapaceiam”, admite Harold L. Enarson, antigo presidente da Universidade do Estado de Ohio, “enquanto os presidentes e os curadores fingem não ver”. Num ano recente, 21 universidades, nos Estados Unidos, foram multadas pela Associação Nacional de Atletismo Universitário por terem cometido infrações, e 28 outras universidades estavam sendo investigadas.
Não é de admirar que os valores de jovens jogadores tenham sido destroçados, o que constitui outro dos principais problemas com os esportes, atualmente. É comum o consumo de drogas para melhorar o desempenho atlético, mas, com freqüência, pouco se faz para melhorar a formação universitária. Uma importante pesquisa confirma que os jogadores dos campi, alistados nos principais programas de atletismo, gastam mais tempo jogando seu esporte durante a temporada do que estudando e assistindo às aulas. Uma pesquisa federal também comprovou que menos de 1 de cada 5 jogadores chegou a se formar algum dia em um terço das faculdades e universidades americanas dotadas dos principais programas de bolsas de basquete para homens.
Mui freqüentemente acontece que, mesmo os poucos alunos que com o tempo alcançam êxito nos esportes profissionais e recebem bons salários, tornam-se figuras trágicas. Eles não conseguem cuidar de suas finanças e enfrentar a vida realisticamente. Travis Williams, que morreu em fevereiro último, pobre e sem abrigo, aos 45 anos, é apenas um exemplo. Em 1967, quando jogava no time de futebol americano dos “Green Bay Packers”, ele conseguiu um recorde ainda válido no futebol americano dos EUA, no rebate de chutes do meio do campo, uma média de 37,6 metros. Ele certa vez comentou que, enquanto cursava a faculdade, “jamais tinha de freqüentar as aulas. Apenas me apresentava nos treinos e nos jogos”.
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