Há quem pense que o cross-country é um esporte novo, recente, mas não é bem assim. Em 1927, nas cavernas da ilha de Rødøya, na Noruega, foram encontradas gravuras em rocha de milhares de anos. Um deles mostra um caçador que, pelo que parece, está usando uma máscara de coelho e deslizando com esquis bem compridos nos pés. Mais recentemente, trabalhadores na Escandinávia encontraram nas turfeiras centenas de esquis antigos em ótimo estado de conservação. No passado, durante os longos invernos com muita neve, esquiar era um meio de transporte indispensável para os povos nórdicos. Estava tão arraigado ao sistema de vida deles que eles até adoravam e prestavam homenagem a um deus e a uma deusa-esqui! Hoje, muitas cidades e vilarejos na Noruega e na Suécia têm nomes que são resquícios de crenças pagãs antigas. Não precisa ir muito longe. O nome Escandinávia, pelo que tudo indica, se refere a Skade, deusa dos esquiadores.
Por séculos, esquiar teve um papel muito importante na vida nórdica. Mas foi só no século 19 que o cross-country veio a se tornar um esporte internacional. Nessa época os noruegueses aperfeiçoaram os patins tradicionais, mudando o formato e tornando-os mais afilados e estreitos. Eles também desenvolveram um sistema de tiras amarradas no calcanhar e outras amarradas nos dedos do pé. Mais tarde essas tiras foram substituídas por presilhas de segurança para prender as botas nos esquis. E logo também deram início a uma série de competições em Telemark, uma região montanhosa na região centro-sul da Noruega. Acredita-se que a primeira competição de cross-country cronometrada de que há registro aconteceu nesse local e o vencedor percorreu a distância de 5 quilômetros em cerca de 30 minutos. Pouco tempo depois, corridas de cross-country tornaram-se populares nos países do norte da Europa. Mas foi um outro evento que o tornou conhecido no resto do mundo.
Em 1888, Fridtjof Nansen, explorador norueguês, chefiou uma expedição Groenlândia adentro usando esquis como meio de transporte. Em seguida, ele escreveu um livro sobre essa aventura que em 1891 foi traduzido para o alemão, francês e inglês. A descrição sobre a travessia exaustiva da desolada região ártica deu asas à imaginação dos leitores vitorianos. Surgiram idéias heróicas de se desbravar terras desconhecidas.
Na década de 60, organizaram-se excursões de esqui para famílias dando início a um grande empreendimento. Surgiram muitas estações de esqui especializadas em cross-country. As indústrias não ficaram para trás e logo lançaram novos equipamentos sofisticados. Até a moda teve sua participação transformando o cross-country em um esporte chique. Cresceu a demanda por locais para esqui e muitas prefeituras se viram desesperadas terraplenando qualquer terreno disponível — até campos de golfe e parques nas cidades.
sábado, 28 de agosto de 2010
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