terça-feira, 24 de agosto de 2010

O Treinamento Físico — É Útil?

Será que a Bíblia oferece alguma orientação prática no campo dos esportes?

Notemos em primeiro lugar o valioso conselho fundamental da Bíblia: “Seja a vossa razoabilidade conhecida de todos os homens.” (Filipenses 4:5) Isto indica de imediato um conceito equilibrado sobre todos os assuntos. Por exemplo, o apóstolo Paulo, no mundo grego orientado pelo atletismo dos seus dias, escreveu a um jovem cristão: “Procure se manter sempre em exercício espiritual. . . . O exercício físico tem algum valor, mas o exercício espiritual tem valor para tudo.” (1 Timóteo 4:7, 8, A Bíblia na Linguagem de Hoje) Outra tradução verte: “O treinamento físico traz benefício limitado.” — The New English Bible.

Se, pois, o benefício é limitado, é prudente dedicar-se aos esportes por tempo integral? Baseiam-se nos esportes os verdadeiros valores da vida? E que dizer se o esporte viola os princípios cristãos básicos, como ‘amar o próximo como a si mesmo’ ou ‘fazer aos outros aquilo que gostaria que lhe fizessem’? Que dizer se atividade extracurricular nos esportes significa associação desnecessária com pessoas que não aplicam princípios cristãos? Irá isso minar a espiritualidade? Não é verdade que Primeira Coríntios 15:33 responde Sim? — “Não sejais desencaminhados. Más associações estragam hábitos úteis.”

Embora os esportes como recreação proporcionem “benefício limitado”, a pessoa precisa estar apercebida de possíveis perigos quando são levados muito a sério. A Bíblia fornece orientação nesse respeito: “Não fiquemos egotistas, atiçando competição entre uns e outros, invejando-nos uns aos outros.” (Gálatas 5:26) Nosso artigo precedente mostrou como a incrementada competição pode conduzir à violência. Um espírito excessivamente competitivo tira muito do prazer do jogo, visto que a meta final, vencer, se torna a única coisa importante.

Outras traduções desse texto dizem: “Não procuremos a glória vã.” (Lincoln Ramos) “Então não precisaremos mais andar em busca de honras e de popularidade.” (O Novo Testamento Vivo) Os jovens são atraídos pela ilusão do sucesso nos esportes. Sonham em tornar-se o astro, o vencedor, ganhar destaque. Para a grande maioria, é um sonho impossível. Para os poucos “favorecidos”, o preço é elevado, amiúde terrivelmente elevado. Darryl Stingley, ex-jogador de futebol americano dos E.U.A., sabe isso bem demais. Em resultado de ter sido agarrado mortalmente em agosto de 1978, desde então está paralisado do pescoço para baixo.

Heitor Amorim, ex-astro do futebol brasileiro, põe em foco a questão, dizendo: “Não se deve jamais esquecer que é um número insignificante os poucos que se tornam astros e obtêm todas as honras que acompanham o sucesso. Para cada um que ascende à glória há milhares que sofrem frustração. Abandonaram os estudos, fracassaram no esporte e daí lhes restou — o quê? O desprezo. Ninguém quer saber hoje de um perdedor.”

Portanto, em essência, qual é o melhor conselho a seguir quanto aos esportes? Deixemos que o ex-jogador australiano de futebol americano, Peter Hanning (um profissional de 1964-75 do Swan Districts), responda a essa pergunta: “Meu conselho aos jovens é: Desfrutem seu exercício físico. Os esportes são uma recreação que os conservarão sadios e felizes como passatempo. Mas o esporte profissional é outra história. Exige compromisso que exclui tudo, exige uma dedicação completa. E o preço que se paga é elevado — todas as relações, quer com as pessoas, quer com Deus, têm de sofrer. A pessoa se torna parte de um mundo autônomo de bajulação, imoralidade, inveja, orgulho e avareza. E corre o constante risco de ser vítima de ferimento incapacitante. Ou, talvez pior ainda para alguém que tem consciência, o de ferir gravemente outra pessoa. A lista de ferimentos que eu sofri inclui um braço quebrado, fratura no nariz (quatro vezes) e no osso da maçã do rosto, remoção da cartilagem do joelho, ferimento nas costas e concussão duas vezes. E, em comparação com alguns, eu me saí bastante bem!”

Portanto, embora seja verdade que “a glória dos jovens é a sua força” (Provérbios 20:29, Versão da Imprensa Bíblica Brasileira), deve-se também lembrar que as relações na vida não se baseiam na força, mas na sabedoria. Portanto, recreie-se com seus esportes de modo contrabalançado. Deixe que sirvam de diversão, mas nunca lhe sejam uma obsessão. Deixe que o revigorem, mas nunca o dominem.

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