domingo, 30 de maio de 2010

Uma corrida de obstáculos

Por muito tempo Atenas aspirava atrair os Jogos Olímpicos de volta ao seu local de origem. Marcando o centenário dos jogos nos tempos atuais, 1996 parecia o ano mais apropriado para o retorno da Olimpíada à sua terra natal.

Entretanto, a disputa de Atenas para candidatar-se a sede da Olimpíada em 1996 não teve êxito. Alegou-se que a cidade não tinha a necessária infra-estrutura para as grandes demandas das duas semanas de jogos.

Essa rejeição levou a Grécia e sua capital a entrar em ação. Atenas prometeu corrigir a situação. Com boas intenções e sólidos planos, em 1997 a cidade disputou de novo para sediar os Jogos Olímpicos em 2004. Dessa vez venceu.

Atenas preparou-se para fazer uma transformação. O desejo de sediar os Jogos deu início a uma atividade e desenvolvimento sem precedentes. Em toda a parte, máquinas trabalhavam para melhorar a infra-estrutura e construir estradas e complexos esportivos para os Jogos. Mesmo durante os fins de semana intensamente quentes em pleno verão, podiam-se ver escavadeiras, guindastes e pessoas em vigoroso trabalho por toda a parte.

Em março de 2001, pousou a primeira aeronave no novo aeroporto internacional de Atenas, considerado um dos principais do mundo em sua categoria. Também, planejou-se construir 120 quilômetros de novas rodovias e agendou-se melhorar 90 quilômetros das existentes auto-estradas. Umas 40 vias elevadas foram incluídas no novo sistema de rodovias para facilitar o trânsito. Novas linhas de metrô foram criadas, com providências para mais 24 quilômetros de linhas de bonde. Foi projetada uma malha ferroviária suburbana de 32 quilômetros, pontilhada de estações ferroviárias modernas, para desviar o trânsito e reduzir a poluição atmosférica.

Em suma, Atenas em poucos anos tentou transformar-se numa nova cidade, com mais áreas verdes, um meio ambiente mais limpo e um novo sistema de transporte. Jacques Rogge, presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse: “Quem conheceu Atenas antes dos Jogos e chegar a ver Atenas depois dos Jogos não reconhecerá a cidade.”

Os Jogos Olímpicos voltam ao seu local de origem

ESCAVAÇÕES arqueológicas levaram ao renascimento dos Jogos Olímpicos nos tempos modernos. Descobertas na antiga Olímpia, Grécia, motivaram o barão francês Pierre de Coubertin a apresentar a proposta para o retorno dos jogos, o que resultou na primeira Olimpíada moderna realizada em Atenas, em 1896.

Poucos anos antes de 2004, buldôzeres e britadeiras abriram o caminho para o retorno dos jogos ao seu local de origem. A capital da Grécia parecia um enorme canteiro de obras, ao passo que estava sendo modernizada em preparação para a Olimpíada.

A 28.a Olimpíada, nome oficial dos Jogos Olímpicos de 2004, decorrerá em Atenas, de 13 a 29 de agosto. Cerca de 10 mil atletas, de um número recorde de 201 países, competirão em 28 tipos de esportes. Eventos esportivos serão realizados em 38 locais e culminarão em mais de 300 cerimônias de entrega de medalhas. Cerca de 21.500 membros da mídia serão ultrapassados em número por uns 55 mil agentes da segurança pública que trabalham com diligência.

sábado, 29 de maio de 2010

As modalidades de esporte

Comparado com o atletismo moderno, o número de modalidades era bastante reduzido, e apenas homens participavam. O programa das antigas Olimpíadas não tinha mais de dez modalidades. As estátuas, os relevos, os mosaicos e as pinturas em vasos de terracota, expostos no Coliseu, retratavam os atletas em ação.

Havia corridas a pé de três distâncias: o estádio, equivalente a uns 200 metros; a corrida dupla, comparável aos atuais 400 metros; e a corrida de longa distância, de uns 4.500 metros. Os atletas corriam ou faziam exercícios totalmente nus. Os competidores no pentatlo participavam num conjunto de cinco provas: corrida, salto em distância, arremesso de disco, arremesso de dardo e luta. Outras competições incluíam pugilismo e pancrácio, este último descrito como “esporte brutal que combinava socos com luta livre”. Depois havia a corrida de carros puxados por cavalos por uma distância de oito estádios. Os carros eram leves, abertos, com rodas pequenas, e puxados por dois ou quatro potros ou cavalos adultos.

O pugilismo era extremamente violento e às vezes fatal. Os competidores usavam em torno dos punhos tiras de couro duro, reforçadas com pedaços de metal. Não é difícil imaginar por que certo competidor, chamado Stratofonte, não conseguiu reconhecer a si próprio quando olhou num espelho depois de quatro horas de luta. Antigas estátuas e mosaicos comprovam que os pugilistas ficavam horrivelmente desfigurados.

Na luta romana, segundo as regras, o lutador só podia agarrar a parte superior do corpo do adversário; e o vencedor era quem fosse o primeiro a conseguir imobilizar o outro no chão três vezes. Em contraste, no pancrácio não havia nenhuma restrição de onde segurar o oponente. Os competidores podiam dar pontapés, socos e torcer articulações do corpo do adversário. Os únicos golpes não permitidos eram arrancar o olho com o dedo, arranhar o adversário ou mordê-lo. O objetivo era imobilizar o oponente no chão e obrigá-lo a desistir. Alguns achavam esse “o melhor espetáculo de toda a Olimpíada”.

Diz-se que o mais famoso encontro pancrácio da antiguidade ocorreu no final da Olimpíada de 564 AEC. Arraquião, que estava sendo estrangulado, ainda conseguiu deslocar um dos dedos do pé do seu rival. O oponente, vencido pela dor, rendeu-se no mesmo instante que Arraquião morreu. Os juízes declararam o cadáver de Arraquião vencedor da luta.

A corrida de carros puxados por cavalos era a mais prestigiada das modalidades e também a mais popular entre os aristocratas, visto que o vencedor não era aquele que guiava os cavalos, mas o dono do carro e dos cavalos. Os momentos mais críticos na competição aconteciam no começo da corrida, quando os condutores tinham de manter-se na sua própria faixa e, mais difícil ainda, quando tinham de fazer a curva com o carro em torno dos postes nas duas extremidades da pista. Erros ou faltas podiam causar acidentes que tornavam esse evento popular ainda mais espetacular.

Uma instituição antiga

A Grécia não foi a primeira civilização a se envolver em esportes. Mesmo assim, talvez no oitavo século AEC, o poeta grego Homero descreveu uma sociedade humana estimulada por ídolos heróicos e um espírito de competição, em que a bravura militar e o atletismo tinham grande valor. Explicou-se na exposição que a mais antiga das festividades gregas teve início como um evento religioso para honrar os deuses nos funerais de personagens heróicos. Por exemplo, a Ilíada de Homero, a mais antiga obra existente da literatura grega, descreve como guerreiros nobres, companheiros de Aquiles, depuseram as armas nos ritos fúnebres de Pátroclo e competiram para provar seu valor no pugilismo, na luta romana, no lançamento de discos e de dardos, e na corrida de carros puxados por cavalos.

Festividades similares passaram a ser celebradas em toda a Grécia. Disse a brochura explicativa sobre a exposição: “As festividades ofereciam uma oportunidade básica para os gregos, em respeito aos seus deuses, deixarem de lado suas freqüentes e intermináveis disputas violentas e conseguirem sublimar seu espírito tipicamente competitivo numa realização pacífica, mas igualmente verdadeira, de competição atlética.”

Grupos de cidades-estados adotaram a prática de se reunirem regularmente em centros comuns de adoração para prestar homenagem às suas deidades por meio de competições atléticas. Com o tempo, quatro dessas festividades — a olímpica e a neméia, dedicadas a Zeus; e a pítica e a ístmica, dedicadas respectivamente a Apolo e a Posseidon — aumentaram em importância até se tornarem festividades pan-helênicas. Quer dizer, estavam abertas a competidores de todo o mundo grego. As festividades destacavam sacrifícios e orações e também honravam os deuses por superlativas competições de atletismo ou artísticas.

A mais antiga e prestigiada dessas festividades, segundo o que se diz, data do ano 776 AEC, e era realizada de quatro em quatro anos em honra a Zeus, em Olímpia. A segunda na ordem de importância era a festividade pítica. Realizada perto do mais famoso oráculo do mundo antigo, em Delfos, também incluía atletismo. Mas, em honra do padroeiro da poesia e da música, Apolo, dava-se ênfase ao canto e à dança.